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	<title>constituicom &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/constituicom/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "constituicom"</description>
	<pubDate>Sat, 19 Jul 2008 11:34:23 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[Žižek e a Constituiçom europeia]]></title>
<link>http://postscriptum.wordpress.com/2007/01/05/zizek-e-a-constituicom-europeia/</link>
<pubDate>Fri, 05 Jan 2007 09:14:37 +0000</pubDate>
<dc:creator>post</dc:creator>
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<description><![CDATA[
A Alemanha assumiu este semestre a presidência de turno da Uniom Europeia (UE), afirmando o compro]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.mischief-films.com/bilder/pervertsguide-zizek-birdshr-500.jpg" alt="zizek" /></p>
<p>A Alemanha assumiu este semestre a presidência de turno da Uniom Europeia (UE), afirmando o compromisso de <a href="http://jornaldigital.com/noticias.php?noticia=13334">voltar a colocar na agenda comunitária a malfadada Constituiçom europeia</a>. Deixo aqui um texto do pensador esloveno <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Slavoj_Zizek">Slavoj Žižek</a> (a foto está tirada do <a href="http://www.zizekthemovie.com/">documentário que leva o seu nome</a>) sobre a matéria, que descobrim no blog <a href="http://5dias.net/2006/11/03/zizek-em-pastilhas/">5 dias</a> e me interessou muito no seu momento. Boa leitura!</p>
<p><!--more--></p>
<div align="center"><strong>Um fantasma ronda o Ocidente</strong><br />
<em>Por Slavoj Žižek</em></div>
<p>As comunidades amish dos EUA praticam a instituição do “rumspringa” (do alemão “herumspringen”, que significa saltar aleatoriamente): aos 17 anos, os seus filhos (até então submetidos a uma estrita disciplina familiar) são libertados; recebem permissão e até são incentivados a sair para aprender e experimentar os hábitos do mundo “inglês” que os rodeia - guiam carros, escutam música pop, assistem à televisão, envolvem-se com bebidas, drogas, sexo desenfreado… Depois de alguns anos, precisam decidir: vão tornar-se membros da comunidade amish ou vão deixá-la e transformar-se em cidadãos norte-americanos comuns?</p>
<p>Longe de ser permissiva e dar aos jovens uma opção realmente livre, isto é, dar-lhes a possibilidade de decidir com base no pleno conhecimento e na experiência dos dois lados da opção, essa solução é preconceituosa da maneira mais brutal, uma opção das mais falsas que poderia haver.</p>
<p>Quando, depois de longos anos de disciplina e fantasias sobre os prazeres ilícitos transgressivos do mundo “inglês” exterior, o adolescente amish é súbita e desprevenidamente atirado para ele, é claro que não pode deixar de cair num comportamento extremamente transgressor, “experimentar tudo”, atirar-se plenamente numa vida de sexo, drogas e bebida. E, como nessa vida não têm nenhuma limitação ou regulamento inerente, essa situação permissiva retroage inexoravelmente provocando uma ansiedade insuportável - portanto é seguro prever que depois de alguns anos voltem para a reclusão da sua comunidade. Não admira que 90% dos filhos amish façam exactamente isso.</p>
<p><strong>Metaopção</strong></p>
<p>É um exemplo perfeito das dificuldades que sempre acompanham a ideia de uma “opção livre”: enquanto os adolescentes amish formalmente têm uma opção livre, as condições que eles encontram enquanto estão a fazer a opção tornam-na não-livre. Isso também demonstra claramente as limitações da atitude liberal padrão em relação às mulheres muçulmanas que usam o véu: podem fazê-lo se for de livre opção, e não imposta pelos seus maridos ou familiares.</p>
<p>No entanto, quando as mulheres usam o véu em consequência da sua livre opção individual (por exemplo, para realizar a sua própria espiritualidade), o significado de usar o véu muda completamente: não é mais um sinal de pertencer à comunidade muçulmana ou a expressão da sua individualidade idiossincrática. A diferença é igual à que existe entre um agricultor chinês que se alimenta de comida chinesa porque a sua aldeia faz isso desde tempos imemoriais e um cidadão de uma megalópole ocidental que decide jantar num restaurante chinês local.</p>
<p>Uma opção é, portanto, sempre uma “metaopção”, uma opção da modalidade da própria opção: é somente a mulher que não escolhe usar o véu que efectivamente faz uma opção. Isso porque, nas nossas sociedades seculares preferidas, as pessoas que mantêm uma filiação religiosa substancial estão numa posição subordinada: mesmo que elas tenham autorização para manter a sua crença, essa crença é “tolerada” como sua opção/opinião pessoal idiossincrática; no momento em que elas a apresentam publicamente como o que significa para elas (uma questão de filiação substancial), são acusadas de “fundamentalistas”.</p>
<p>Mas o que é que tudo isso tem a ver com o “não” francês à Constituição europeia? Tudo. Os eleitores franceses foram tratados exactamente como os jovens amish: não receberam uma opção claramente simétrica. Os próprios termos da opção privilegiaram o “sim”: a elite propôs à população uma opção que efectivamente não era uma opção - a população foi chamada a ratificar o inevitável, o resultado da perícia esclarecida.</p>
<p>Os media e a elite política apresentaram a opção como sendo entre conhecimento e ignorância, entre perícia e ideologia, entre administração pós-política e antigas paixões políticas da esquerda e da direita. O “não” foi portanto rejeitado como uma reacção míope, inconsciente das suas próprias consequências: uma reacção obscura de medo da nova ordem global pós-industrial emergente, um instinto de manter e proteger as confortáveis tradições do Estado providência - um gesto de recusa sem nenhum programa alternativo positivo.</p>
<p>Não admira que os únicos partidos políticos cuja posição oficial era o “não” foram os partidos no extremo oposto do espectro político: a Frente Nacional de Le Pen, à direita, e os comunistas e trotskistas, à esquerda. Além disso, segundo nos dizem, o “não” era, na verdade, um “não” a muitas outras coisas: ao neoliberalismo anglo-saxão, ao presidente Jacques Chirac e ao actual governo francês, ao ingresso de trabalhadores imigrantes da Polónia, que reduzem os salários dos trabalhadores franceses etc.</p>
<p><strong>Elite condenada</strong></p>
<p>No entanto, mesmo que haja um elemento de verdade em tudo isso, o próprio facto de o “não” não ter sido sustentado por uma visão política coerente alternativa é a mais forte condenação possível da elite política e mediática: um monumento à sua incapacidade em articular, traduzir em visão política, os desejos e insatisfações da população. Em vez disso, numa reacção ao “não”, tratou a população como alunos atrasados que não entenderam a lição dos especialistas: a sua autocrítica foi a do professor que admite que falhou em educar adequadamente os seus alunos.</p>
<p>Por isso, embora a opção não fosse entre duas opções políticas, também não era uma opção entre a visão esclarecida de uma Europa moderna, pronta para se encaixar na nova ordem global, e antigas paixões políticas confusas. Quando os comentaristas descreveram o “não” como uma mensagem de medo confuso, estavam errados. O principal medo que identificamos aqui é o mesmo que o próprio não provocou na nova elite política europeia, o medo de que as pessoas não comprem mais tão facilmente a sua visão “pós-política”.</p>
<p>Para todos os outros, o “não” é uma mensagem e uma expressão de esperança: esperança de que a política continue viva e possível, de que o debate sobre o que deve ser a nova Europa continue aberto. É por isso que nós, da esquerda, devemos rejeitar a insinuação de desprezo dos liberais, de que, no nosso “não”, encontramo-nos com estranhos companheiros neofascistas. O que a nova direita populista e a esquerda compartilham é apenas uma coisa: a consciência de que a política propriamente dita continua viva.</p>
<p><strong>Debate adequado</strong></p>
<p>Havia uma opção positiva no “não”: a opção da própria opção. A rejeição à chantagem da nova elite que oferece apenas a opção de confirmar o seu conhecimento de perita ou exibir a nossa imaturidade “irracional”. O “não” é a decisão positiva de começar um debate político adequado sobre que tipo de Europa realmente queremos. No final da sua vida, Freud fez a famosa pergunta: “Was will das Weib?” [O que quer uma mulher?], admitindo a sua perplexidade quando confrontado com o enigma da sexualidade feminina. O imbróglio com a Constituição europeia não é testemunha da mesma perplexidade? Que Europa queremos?</p>
<p>Para colocar simplesmente, queremos viver num mundo em que a única opção seja entre a civilização norte-americana e a chinesa capitalista-autoritária emergente? Se a resposta for não, então a única alternativa é a Europa. O Terceiro Mundo não pode gerar uma resistência suficientemente forte à ideologia do sonho americano; na actual constelação, somente a Europa pode fazê-lo.</p>
<p>A verdadeira oposição hoje não é entre o Primeiro Mundo e o Terceiro Mundo, mas entre o conjunto do Primeiro e Terceiro mundos (o império global norte-americano e as suas colónias) e o remanescente Segundo Mundo (Europa). A propósito de Freud, Adorno afirmou que o que estamos a receber no “mundo administrado” contemporâneo e a sua “dessublimação repressiva” não é mais a antiga lógica da repressão do id e seus impulsos, mas um pacto directo e perverso entre o superego (autoridade social) e o id (impulsos agressivos ilícitos) à custa do ego.</p>
<p>Algo estruturalmente semelhante não está a acontecer hoje a nível político - o estranho pacto entre o capitalismo global pós-moderno e as sociedades pré-modernas, à custa da própria modernidade? É fácil para o império global multiculturalista norte-americano integrar as tradições locais pré-modernas, pois o corpo estranho que efectivamente não consegue assimilar é a modernidade europeia.</p>
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