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	<title>holocausto-inquisicao-e-progroms &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/holocausto-inquisicao-e-progroms/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "holocausto-inquisicao-e-progroms"</description>
	<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 19:52:45 +0000</pubDate>

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	<language>en</language>

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<title><![CDATA["Sonderkommando" - Apresentação na FNAC Colombo]]></title>
<link>http://gremiohebraico.wordpress.com/?p=213</link>
<pubDate>Wed, 24 Sep 2008 08:39:59 +0000</pubDate>
<dc:creator>Grémio Hebraico</dc:creator>
<guid>http://gremiohebraico.wordpress.com/2008/09/24/sonderkommando-apresentacao-na-fnac-colombo/</guid>
<description><![CDATA[A apresentação do livro &#8220;Sonderkommando&#8221; terá lugar na FNAC Colombo, dia 24 de Setemb]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">A apresentação do livro "Sonderkommando" terá lugar na<strong> FNAC Colombo, dia 24 de Setembro pelas 21:30</strong> horas, e contará com a presença do próprio autor, Shlomo Venezia e a apresentação de Esther Mucznik. </p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<blockquote>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><strong><em><span>O depoimento único de um judeu</span></em></strong><span><strong><em><span> </span></em></strong></span><span>forçado a trabalhar nas câmaras de gás</span></p>
</blockquote>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span><img class="alignleft size-full wp-image-214" src="http://gremiohebraico.wordpress.com/files/2008/09/bigsonderkommando1.jpg" alt="" width="180" height="263" />«[O relato] de Shlomo Venezia é particularmente perturbante, visto que é o único testemunho completo que temos de um sobrevivente dos Sonderkommandos.» Simone Veil (Presidente da Fundação para a Memória da Shoah). Oriundo da comunidade judaica italiana de Salónica, Shlomo Venezia foi deportado para Auschwitz-Birkenau aos 21 anos e incorporado no Sonderkommando. Um «comando especial» constituído por prisioneiros judeus e encarregado pela SS de esvaziar as câmaras de gás e levá-los para os fornos crematórios onde eram queimados os corpos das vítimas. Shlomo Venezia recorda, com a coragem de quem luta contra o esquecimento, os comboios da morte, as regras dos campos de concentração, os trabalhos nas câmaras de gás, os cheiros, os corpos imundos, as caras de horror e o sofrimento por que passou. O autor sobreviveu ao campo da morte e ao extermínio sistemático dos Sonderkommando e deixa-nos um testemunho único e arrepiante. Um apelo à reflexão, a que o leitor não vai ficar indiferente.   </span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Tão alegres que eles eram nas olimpíadas nazis]]></title>
<link>http://gremiohebraico.wordpress.com/?p=97</link>
<pubDate>Wed, 28 May 2008 10:19:06 +0000</pubDate>
<dc:creator>Grémio Hebraico</dc:creator>
<guid>http://gremiohebraico.wordpress.com/2008/05/28/tao-alegres-que-eles-eram-nas-olimpiadas-nazis/</guid>
<description><![CDATA[Numa exposição em Washington sobre os jogos de 1936, vê-se que as olimpíadas ainda permanecem so]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><strong>Numa exposição em Washington sobre os jogos de 1936, vê-se que as olimpíadas ainda permanecem sob a sombra de Berlim. Têm imagens prometeicas e propaganda nacionalista mal disfarçada. Talvez devam regressar para sempre à Grécia e ser uma celebração desportiva verdadeiramente internacional, apolítica e aberta.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-98" src="http://gremiohebraico.wordpress.com/files/2008/05/olympics.jpg" alt="" width="470" height="300" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span><strong><span><span style="font-weight:normal;">Os rostos felizes são o aspecto mais surpreendente. Em toda a exposição As Olimpíadas Nazis, no Museu do Holocausto, em Washington, Estados Unidos, existe uma perturbante sensação de alegria em muitas das fotografias. Multidões sorridentes e satisfeitas desfrutam o espectáculo, concentradas na acção e arrebatadas pela emoção visceral de estarem no mesmo estádio ao ar livre com dezenas de milhares de pessoas igualmente animadas.</span></span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span><strong><span><span style="font-weight:normal;">Também os atletas parecem felizes. Jesse Owens, a estrela afro-americana do atletismo que iria embaraçar Adolf Hitler ao vencer uma série de provas, ostenta um sorriso genuíno e acanhado. Marty Glickman, um corredor judeu que seria afastado da equipa americana de estafetas por razões que continuam a ser misteriosas, é visto aqui nos treinos antes dos Jogos Olímpicos sorridente ao sol a bordo do SS Manhattan, o navio que transportava a selecção norte-americana para os Jogos na Alemanha.</span></span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span><strong><span><span style="font-weight:normal;">Em parte, a dissonância destas imagens exuberantes é uma ilusão da História. No Verão de 1936, embora a animosidade de Hitler contra os judeus, os não arianos e outros grupos não fosse segredo nenhum, o Holocausto ainda não acontecera. A tomada do território dos sudetas à Checoslováquia, a anexação da Áustria e a invasão da Polónia ainda estavam a alguns anos de distância. Hitler era uma ameaça e as suas políticas racistas consideradas repelentes. E isso era suficiente para levar alguns a protestarem fortemente contra a participação naquilo que se iria tornar um dos maiores golpes de propaganda do ditador. Mas os Jogos Olímpicos também eram, para muitos, uma pausa agradável na tempestade que se aproximava. "Todos nós desejamos acreditar no melhor," afirmou Sara Bloomfield, directora do Museu do Holocausto.</span></span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span><strong><span><span style="font-weight:normal;">Desde a sua reinvenção na era moderna, em 1896, a retórica de uma competição atlética pacífica entre uma irmandade de nações não consegue mascarar a postura nacionalista e o mercantilismo subjacente a todo o evento. E são raros os Jogos Olímpicos sem algum tipo de hipocrisia política.</span></span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span><strong><span><span style="font-weight:normal;">Na véspera de outros Jogos Olímpicos e de novo debate sobre as fronteiras permeáveis entre o desporto olímpico e a política internacional, o Museu do Holocausto reinaugura a exposição de 1996 dedicada aos Jogos infames de 1936. A excelente exposição, que tem viajado intensamente desde que foi inaugurada há mais de uma década, voltou a abrir com novas peças e estará em Washington até 17 de Agosto.</span></span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span><span><strong>Tocha Krupp</strong></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Estão lá coisas novas sobre o famoso transporte da tocha, que se tornou o símbolo dos Jogos de Berlim. No exterior da exposição, vê-se pintado no chão um desenho retirado de um cartaz da época, que publicitava a passagem de testemunho da tocha - um mapa que mostra as cidades no percurso entre Olímpia e Berlim. A exposição abre com um dos suportes originais da tocha, uma elegante peça de metal feita pela Krupp, o patrocinador das infra-estruturas do Terceiro Reich.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Susan Bachrach, conservadora do museu, diz que o cartaz com o mapa do transporte da tocha deu origem a uma polémica em 1936. Se bem que a versão exibida nesta exposição esteja isenta de iconografia nazi, uma versão anterior revelava um mapa da Europa com o território sudeta já anexado pela Alemanha, o que não foi aceite de bom grado pelos checos. É um poderoso símbolo de como as intenções nazis durante os Jogos já estavam pouco ocultas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">O Terceiro Reich já tinha, por exemplo, reinstalado os ciganos de Berlim em campos de concentração no exterior da cidade. Já vigoravam as leis de Nuremberga de 1935, que recomendavam uma punição de trabalhos forçados ou prisão para casamentos mistos ou relações sexuais entre judeus e não judeus. E as ambições militares do país haviam sido expressas pela ocupação militar da Renânia poucos meses antes do início dos Jogos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Por outro lado, foram dadas ordens superiores para que grandes manifestações anti-semitas fossem interrompidas, enquanto o mundo estivesse de olhos postos em Berlim. Os jornais mais virulentos foram retirados dos quiosques. E, embora os judeus tivessem sido expurgados do atletismo alemão, alguns atletas "não arianos" foram simbolicamente admitidos na selecção olímpica alemã por causa da pressão internacional. Entre eles, encontrava-se a esgrimista Helen Mayer, que era em parte judia e na altura se encontrava a viver nos Estados Unidos. Ela regressou à Alemanha para competir pela equipa alemã a pedido do Ministério dos Desportos do Reich. Foi uma decisão estranha, em muitos aspectos inexplicável, e é quase sinistro quando a vemos num pequeno filme a fazer a saudação nazi no pódio (ganhou a medalha de prata na prova feminina individual).</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">A exposição está repleta destes apontamentos curiosos e contraditórios. Os esforços para boicotar os Jogos forçaram os norte-americanos a pensar nas leis que segregavam os afro-americanos nos estados sulistas, que tinham muitos aspectos semelhantes às primeiras discriminações anti-semitas na Alemanha. </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">O facto de Hitler ter conseguido a organização dos Jogos Olímpicos foi, em si mesmo, um acidente histórico. Quando os Jogos foram atribuídos à Alemanha em 1931, Hitler ainda não subira ao poder. Os responsáveis pelos Jogos Olímpicos esperavam que estes celebrassem a reentrada da Alemanha na comunidade das nações após a Primeira Guerra Mundial.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><strong>Imagens perfeitas</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Até mesmo a passagem de testemunho da tocha, que se adequava tão poderosamente à imagética política nazi, foi inventada por alguém que não era nazi convicto. O crédito vai para Carl Diem, que se tornaria um respeitado historiador desportivo e membro do Comité Olímpico alemão do pós-guerra.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Era uma ideia inspirada e proporcionou um fantástico material a Leni Riefenstahl, a realizadora nazi autora do brilhante filme Olympia baseado nos Jogos de 1936. Foi muito provavelmente Diem que primeiro se lembrou de Riefenstahl (admirava o seu Triunfo da Vontade) e talvez mereça algum crédito por uma das sequências mais extraordinárias da filmografia do século XX: através da névoa do tempo, a Grécia clássica emerge e em seguida explode numa vida nova, quando jovens esculturais de tronco nu mergulham a tocha nas chamas sagradas. Era lírico, era wagneriano, era prometeico, era uma imagem perfeita.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Este tipo de imagética ainda impregna os Jogos Olímpicos que, em muitos aspectos, permanecem sob a sombra de Berlim. É impossível percorrer esta exposição sem sentir uma síndrome de repetição. E se as leis de Jim Crow enfraqueceram a posição contra os nazis, também o espectro de Abu Ghraib e de Guantánamo retirou poder aos argumentos contra a repressão política na China.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Nessa altura, tal como agora, os argumentos a favor de um boicote foram contrapostos com reivindicações de que os Jogos Olímpicos não deveriam ser politizados e de que seria injusto para os atletas se não participassem.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Mas um capítulo mais humilhante e pouco conhecido que poderia ter desacreditado o Comité Olímpico Internacional foi a decisão de realizar os Jogos de Inverno de 1940 na Alemanha. A decisão foi tomada em Junho de 1939, depois de planos para os organizar em St. Moritz, na Suíça, se terem gorado. Mesmo após a Noite de Cristal e quatro anos de ditadura predadora de Hitler, a Alemanha era novamente considerada um país aceitável (ainda que fosse uma decisão de último minuto) para acolher os Jogos Olímpicos. Não chegaram a realizar-se, embora Bachrach afirme que a proposta do COI à Alemanha nunca foi retirada. Foi a própria Alemanha que desfez o acordo, talvez porque tivesse acabado de invadir a Polónia em Setembro de 1939.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><strong>Regressar à Grécia</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Actualmente, as cerimónias olímpicas ainda parecem quase fascistas, com os seus estandartes e tochas e desfiles de atletas. Talvez não possa ser evitado. Mas oculta na exposição, de uma forma um pouco perversa, está uma boa ideia que poderia expurgar os Jogos Olímpicos do espectáculo político que tornou o percurso da tocha para os Jogos de Pequim tão problemático. O plano de Hitler, após conquistar o mundo, era mudar os Jogos Olímpicos permanentemente para Nuremberga.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Esta ideia poderia permitir repensar-se a premissa de que os Jogos devem ser realizados em diferentes cidades, o que apenas encoraja uma orgia de propaganda nacionalista mal disfarçada. Talvez os Jogos de Verão pudessem regressar permanentemente à Grécia, onde ocorreram pela primeira vez e foram realizados com tanto sucesso em 2004. E a orquestração do espectáculo poderia ser realizada por um comité verdadeiramente internacional, despojando-o de aspectos específicos deste ou daquele país. Então aí talvez os Jogos Olímpicos pudessem emergir como uma celebração desportiva verdadeiramente internacional, apolítica e aberta.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><strong>* Philip Kennicott (Jornalista)</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span lang="EN-GB"><strong>in "The Washington Post" &#38; "Público"</strong></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Yom Hashoa 5768]]></title>
<link>http://gremiohebraico.wordpress.com/?p=56</link>
<pubDate>Fri, 02 May 2008 14:59:55 +0000</pubDate>
<dc:creator>Grémio Hebraico</dc:creator>
<guid>http://gremiohebraico.wordpress.com/2008/05/02/yom-hashoa5768/</guid>
<description><![CDATA[Ontem foi Yom Hashoa (Dia do Holocausto, para os judeus). Muitos judeus em todo o mundo viajam à Po]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Ontem foi <strong>Yom Hashoa</strong> (Dia do Holocausto, para os judeus). Muitos judeus em todo o mundo viajam à Polónia para relembrar o horror nazi numa viagem chamada Marcha da Vida. Em Israel, é dia de luto. Na noite anterior, todos os estabelecimentos comerciais fecharam em respeito aos seis milhões de judeus executados pelo regime de Hitler. Na televisão, filmes, documentários e programas especiais relembram a tragédia a cada ano. Na rádio, músicas tristes, e diversas cerimónias acontecem ao redor do país. O momento mais marcante do dia é uma sirene que toca às 10h e pode ser ouvida em Israel inteira. As pessoas param em dois respeitosos minutos de silêncio onde quer que estejam. Se está dentro de um autocarro, levanta-se. Os motoristas param os carros onde estiverem, mesmo no meio da estrada, e levantam-se. É como se o país congelasse por dois minutos.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>Confiram o vídeo</strong></p>
<p style="text-align:center;">[dailymotion id=x5iqtx&#38;v3=1&#38;related=1]</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A mulher que desejava proteger e ajudar Deus]]></title>
<link>http://gremiohebraico.wordpress.com/?p=46</link>
<pubDate>Mon, 28 Apr 2008 12:58:39 +0000</pubDate>
<dc:creator>Grémio Hebraico</dc:creator>
<guid>http://gremiohebraico.wordpress.com/2008/04/28/a-mulher-que-desejava-proteger-e-ajudar-deus/</guid>
<description><![CDATA[Oito cadernos escritos numa letra fina, fechada em si mesma, difícil de ler. Um diário somente rev]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><img class="alignleft size-medium wp-image-52" style="float:left;" src="http://gremiohebraico.wordpress.com/files/2008/04/capa20etty3.jpg?w=170" alt="" width="150" height="220" />Oito cadernos escritos numa letra fina, fechada em si mesma, difícil de ler. Um diário somente revelado na década de 80. Páginas e páginas que contam a história de uma judia holandesa, e da sua experiência existencial, que acabará por morrer em Auschwitz, em Novembro de 1943.</p>
<div style="text-align:justify;">
<p>São esses textos que a editora Assírio &#38; Alvim vai publicar na colecção "Teofanias", sob a direcção de Tolentino Mendonça, também autor do prefácio.</p>
<p><strong>O lançamento realiza-se hoje, às 18.30, na Livraria Assírio &#38; Alvim (Rua Passos Manuel, 67 B) com a presença do poeta, de Esther Mucznik e de Nélio Pita</strong>.</p>
<p>Etty tem 28 anos e chega, a 30 de Julho de 1942, ao Campo de Westerbork enviada a seu pedido, pelo Conselho Judaico. Nesse tempo, entrava e saía, levava e trazia notícias de amigos ou familiares, providenciava medicamentos, roupas, livros. Um ano depois, deixa a organização e regressa aquilo que chamou de "centro da dor judaica", incapaz de abandonar os que já lá estão e os que estão para vir. O presente e o futuro.</p>
<p>"Coração pensante" o seu que reflecte, mais do que descreve, uma <em>via crucis</em>, a dos outros e a sua, a dor plúmbea, insuportável . Cenário: um orfanato, uma sinagoga, uma pequena capela mortuária, uma sala de teatro, várias religiões. Antecâmara da deportação e da morte. O horror e, ainda assim, a vida ardente.</p>
<p>De Etty e do seu pensamento (que ultrapassa, em muito, o judaísmo) sobre o mal, a condição humana, a espiritualidade) fala-nos Maria Filomena Molder num ensaio notável intitulado "O coração pensante e a faculdade de julgar" (<em>Intervalo 2, </em>2005), no qual confronta o seu pensamento com o de Hannah Arendt, considerando que "uma das chaves do segredo daquela mulher" passa por "não querer participar, para além da sua condição de vítima real, subjugada, acossada, no grande processo de autovitimização."</p>
<p>Não quer ser vítima, Etty, não cedendo por isso ao "olhar da crueldade do carrasco, infame e insensível." Leitora de Santo Agostinho e de Rilke, sabe que a morte se aproxima, mas quer compreender: "A vida, a morte, o sofrimento e alegria, as bolhas nos pés, as atrocidades sem número, tudo está em mim e forma um conjunto poderoso, se o aceitar como uma totalidade indivisível e começo a compreender cada vez melhor - para meu próprio uso, sem o poder ainda explicar aos outros - a lógica desta totalidade." (<em>Diário, 1942</em>)</p>
</div>
<div style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-51" src="http://gremiohebraico.wordpress.com/files/2008/04/etty11.jpg" alt="" /><strong></strong></div>
<div style="text-align:center;"><strong>Etty Hillesum em 1941, ano em que começou a escrever os diários</strong></div>
<div style="text-align:justify;">Etty sabe que, renunciando ao desejo, pode renunciar a tudo, e reconhece, como diz Molder, que, mesmo na diluição dos passos sobre a neve, "a poesia está para aquém do julgamento", não tendo a ver com "a indiferença ou o narcisismo, mas com o acumular de um tesouro para o pôr a render": "Só um poeta poderia fazer-nos ver o que ela estava a ver, só um exercício de renúncia poética (...) lhe permitiu não se enganar sobre a realidade que era forçada a viver."</div>
<div style="text-align:justify;">
<p>Não será por acaso que Tolentino a aproxima de uma outra pensadora e mística, Simone Weil. Contemporâneas, judias, "debateram-se por salvaguardar o sol interior num século de horas sombrias, escritoras, ambas consumando até ao fim (ou mais para lá do fim) um destino de aniquilamento como se de uma incrível aventura espiritual se tratasse."</p>
</div>
<div style="text-align:justify;">Simone e Etty morrem no mesmo ano, a primeira num hospício inglês, "como se expirasse entre as vítimas", na frente mais exposta de um combate", e segunda num campo de concentração, para o qual partiu cantando." Na sua imensa claridade, dizia: "Tentarei ajudar-vos, Deus, a impedir o declínio das minhas forças!"</div>
<div style="text-align:justify;"><strong>Ana Marques Gastão</strong></div>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Matança da Páscoa em Lisboa dizimou judeus]]></title>
<link>http://gremiohebraico.wordpress.com/?p=21</link>
<pubDate>Wed, 23 Apr 2008 11:35:17 +0000</pubDate>
<dc:creator>Grémio Hebraico</dc:creator>
<guid>http://gremiohebraico.wordpress.com/2008/04/23/matanca-da-pascoa-em-lisboa-dizimou-judeus/</guid>
<description><![CDATA[A História que a maioria de nós aprendeu na escola apagava do nosso passado nacional todos os erro]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">A História que a maioria de nós aprendeu na escola apagava do nosso passado nacional todos os erros e tragédias, preferindo optar pela apologia dos gloriosos feitos dos lusos mais distintos, a começar por Viriato, passando por D. Afonso Henriques e o Infante que conquistou o mundo, para acabar, obviamente, no omnipresente dr. Oliveira Salazar. Esqueceram-se de nos contar os episódios que nos envergonham, é certo, mas que são aqueles a partir dos quais podemos entender o presente. Porque só quando compreendemos a raiz dos problemas, somos capazes depois de construir pontes, e investir num futuro mais justo.</p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://gremiohebraico.wordpress.com/files/2008/04/img_01151.jpg?w=128" alt="" /> <img src="http://gremiohebraico.wordpress.com/files/2008/04/img_01273.jpg?w=128" alt="" /> <img src="http://gremiohebraico.wordpress.com/files/2008/04/img_0132.jpg?w=128" alt="" /></p>
<p style="text-align:justify;">Uma das tragédias que nos omitiram, e que fazem qualquer lisboeta abrir a boca em choque, foi a «Matança da Páscoa», ocorrida em 1506. Em três dias, os habitantes de Lisboa assassinaram entre duas e quatro mil pessoas de origem judia, lançando para enormes fogueiras homens, mulheres e crianças. Pilharam, violaram e destruíram as casas daqueles que eram considerados já cristãos-novos. Nós? Sim, nós, aquele povo de «brandos costumes» que repetidamente nos disseram que éramos. Contra os judeus, sem razão nenhuma, tal e qual os alemães do II Reich que tanto desprezamos, na ilusão de que seríamos incapazes de actos iguais? Sim.</p>
<p style="text-align:justify;">Lisboa vivia uma período de seca e peste, quando a 19 de Abril um homem alegou ter visto na igreja de S. Domingos o rosto de Cristo iluminado. Um outro mais cínico riu daquilo que o povo considerava um bom presságio, dizendo tratar-se apenas do reflexo do sol. As palavras custaram-lhe a vida, sendo espancado até à morte no largo com o mesmo nome. Um frade dominicano teve então a diabólica ideia de prometer indulgências a quem matasse hereges, chacina a que só os soldados de D. Manuel conseguiram pôr fim.</p>
<p style="text-align:justify;">Ontem, o presidente da Câmara, o presidente da Comunidade Israelita e o patriarca de Lisboa inauguraram no mesmo largo uma estátua aos valores da tolerância e da paz. De facto, só a verdade liberta.</p>
<p><strong>Isabel Stilwell</strong></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Inauguração do Memorial às Vítimas do Massacre de Lisboa de 1506]]></title>
<link>http://gremiohebraico.wordpress.com/?p=18</link>
<pubDate>Wed, 16 Apr 2008 10:05:01 +0000</pubDate>
<dc:creator>Grémio Hebraico</dc:creator>
<guid>http://gremiohebraico.wordpress.com/2008/04/16/inauguracao-do-memorial-as-vitimas-do-massacre-de-lisboa-de-1506/</guid>
<description><![CDATA[

Na sequência da aprovação, por unanimidade, da inauguração de um memorial às vítimas do mas]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div>
<div>
<p style="text-align:justify;">Na sequência da aprovação, por unanimidade, da inauguração de um memorial às vítimas do massacre judaico de Lisboa de 19, 20 e 21 de Abril de 1506, a Câmara Municipal de Lisboa vai concretizar essa homenagem no <strong><span>próximo dia 22 de Abril, às 11.00h, no Largo de São Domingos</span></strong>. Projecto concebido pela Arq. Graça Bachman</p>
<p align="center"><strong><span><strong><span>PROPOSTA N.º 423/2007</span></strong></span><strong></strong></strong></p>
<p align="center"><strong><span><strong><span>MEMORIAL ÀS VÍTIMAS DA INTOLERÂNCIA</span></strong></span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span>Considerando que:</span></p>
<div style="text-align:justify;">
<ol>
<li>No ano de 1506, a cidade de Lisboa foi palco do mais dramático e sanguinário episódio antijudaico de todos os que são conhecidos no nosso território;</li>
<li>Durante três dias, 19, 20 e 21 de Abril, estes acontecimentos, que tiveram início junto ao Convento de S. Domingos (actual Largo de S. Domingos), levaram a que cerca de dois mil lisboetas, por mera suspeita de professarem o judaísmo, tivessem sido barbaramente assassinados e queimados em duas enormes fogueiras no Rossio e na Ribeira;</li>
<li>Evocar este hediondo crime em que consistiu o massacre de 1506, inscrito numa política de intolerância que, segundo Antero de Quental, contribuiu para a decadência deste povo peninsular, será fazer justiça póstuma a todas as vítimas da intolerância e constituirá uma afirmação inequívoca de Lisboa como cidade cosmopolita, multiétnica e multicultural.</li>
<li>A pedagogia de combate ao racismo, à discriminação, à xenofobia e a todas as formas análogas de intolerância, constitui um eixo fundamental da democracia e da coexistência pacífica entre os povos.</li>
</ol>
<p>Os vereadores do Partido Socialista, da Lista "Cidadãos por Lisboa" e do Bloco de Esquerda, ao abrigo da alínea b) do n.º 7 do art.º 64.º da Lei 169/99 de 18 de Setembro, com a redacção dada pela Lei 5-A/2002 de 11 de Janeiro, têm a honra de propor que a Câmara Municipal de Lisboa, na sua reunião de 30 de Janeiro de 2007, delibere:</p>
</div>
<div style="text-align:justify;">
<ol>
<li>Instalar na cidade de Lisboa um Memorial às Vítimas da Intolerância, evocativo do massacre judaico de Lisboa de 1506 e de todas as vítimas que sofreram a discriminação e o aviltamento pessoal pelas suas origens, convicções ou ideias;</li>
</ol>
</div>
<div style="text-align:justify;">a) O Memorial localizar-se-á no Largo de S. Domingos e deverá ser composto por um mural evocativo das vítimas da intolerância, cuja concepção, execução e instalação competirá aos serviços municipais;</div>
<p>b) Esta intervenção contemplará, igualmente, o arranjo da área envolvente e incluirá a colocação, no mesmo Largo, de elementos escultóricos contributos das comunidades católica e judaica;</p>
<p>c) A inauguração do Memorial terá lugar no dia 19 de Abril de 2008, em cerimónia promovida pela Câmara Municipal de Lisboa, para a qual serão convidadas todas as comunidades étnicas e religiosas da Cidade.</p>
<div style="text-align:justify;"><strong>Os Vereadores</strong></div>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Polónia e Israel homenageiam heróis do Gueto de Varsóvia]]></title>
<link>http://gremiohebraico.wordpress.com/?p=15</link>
<pubDate>Tue, 15 Apr 2008 23:12:35 +0000</pubDate>
<dc:creator>Grémio Hebraico</dc:creator>
<guid>http://gremiohebraico.wordpress.com/2008/04/15/polonia-e-israel-homenageiam-herois-do-gueto-de-varsovia/</guid>
<description><![CDATA[Lech Kaczynski e Shimon Peres lembraram o heroísmo dos judeus do Gueto de Varsóvia. Judeus revolt]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><strong>Lech Kaczynski e Shimon Peres lembraram o heroísmo dos judeus do Gueto de Varsóvia. Judeus revoltaram-se para não serem levados para campos de concentração.</strong></p>
<p style="text-align:center;"><span style="text-decoration:underline;"><img class="size-medium wp-image-17" src="http://gremiohebraico.wordpress.com/files/2008/04/guetodevarsovia2.jpg?w=500" alt="" width="370" height="250" /></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span><span><span><span><span><span>Os presidentes da Polónia, Lech Kaczynski, e de Israel, Shimon Peres, lembraram nesta terça-feira (15/abril), na capital polaca, o heroísmo dos judeus do Gueto de Varsóvia, que há 65 anos se revoltaram contra os nazis para não serem levados para campos de concentração.<span> </span>"O nosso país quer vingança, mas uma vingança diferente, nós desejamos paz, esta é nossa vingança, a vingança dos filhos da luz frente aos filhos da escuridão", declarou Peres no acto de homenagem que aconteceu diante do monumento construído em memória dos heróis do Gueto, no centro de Varsóvia.</span></span></span></span></span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span><span><span><span><span><span>Kaczynski afirmou que "os soldados do Gueto não lutaram pela vitória, mas pela honra, com uma carência total de meios, mas com grande coragem, uma coragem que nunca devemos esquecer". Os dois chefes de Estado depositaram coroas de flores diante do monumento, após a comunidade judaica recitar o Kadish, prece em memória dos mortos.</span></span></span></span></span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span><span><span><span><span><span>No entanto, o momento mais emocionante não foi protagonizado pelos chefes de Estado, mas pelos veteranos polacos e judeus, especialmente Marek Edelman, o último sobrevivente dos líderes do levante, que esteve acompanhado de sua família na homenagem ao movimento, do qual participou há 65 anos. O Exército da Polónia prestou uma homenagem especial aos milhares de judeus que participaram do levante e aos soldados israelitas que integravam as Forças Armadas polacas durante o conflito, muitos dos quais realizaram actos de bravura que hoje foram relembrados com respeito.</span></span></span></span></span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span><span><span><span><span><span>Antes da Segunda Guerra Mundial a Polónia era um dos pontos da Europa com a maior população judaica, estimada em cerca de 3,5 milhões de pessoas, mas após o Holocausto sobraram apenas alguns milhares de indivíduos. Em 1940 as forças de ocupação alemãs obrigaram mais de 400 mil judeus de Varsóvia a se concentrarem no centro da cidade em uma área delimitada, que foi isolada por um muro. Muitos morreram por causa das péssimas condições do gueto, enquanto os outros aguardavam serem transferidos para os campos de concentração. No resto da cidade, a situação não era muito melhor, com contínuos confrontos entre a resistência polaca e a ocupação nazista, em uma guerrilha permanente retratada no filme "O Pianista", do realizador Roman Polanski. </span></span></span></span></span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span><span><span><span><span><span>O Levante do Gueto de Varsóvia aconteceu em Abril de 1943 e foi um acto de resistência dos jovens judeus contra o extermínio sistemático realizado pelos alemães. Cerca de 14 mil judeus morreram nos confrontos e outros 43 mil foram executados pelas tropas alemãs.</span></span></span></span></span></span></p>
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