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	<title>um-jogo-bastante-perigoso &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/um-jogo-bastante-perigoso/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "um-jogo-bastante-perigoso"</description>
	<pubDate>Mon, 13 Oct 2008 23:58:02 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[Pequena História com Dois Poemas (de Adília Lopes)]]></title>
<link>http://dramapessoal.wordpress.com/?p=424</link>
<pubDate>Thu, 15 May 2008 16:26:37 +0000</pubDate>
<dc:creator>dramapessoal</dc:creator>
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<description><![CDATA[&nbsp;
Aqui gostamos de poemas que contam histórias, e especialmente dos que parecem que contam his]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="center">&#160;</p>
<p>Aqui gostamos de poemas que contam histórias, e especialmente dos que parecem que contam histórias, esses que trazem <em>o que nunca aconteceu, mas está sempre a acontecer</em>.</p>
<p>A propósito dos dois poemas que juntamos aqui, deixamos uma história que temos com a autora, que se calhar mais ninguém tem (para além de uma conversa sobre os ensaios de M.S. Lourenço, a cujo propósito trocámos memórias comuns, e a certa preferência por dois textos muito diferentes).</p>
<p>Foi na loja da editora Assírio &#38; Alvim, na Rua Passos Manuel. Estendemos a mão ao livro <em>Maria Cristina Martins</em>, para comprá-lo. 250 exemplares. 500 escudos. Black Son Editores. Ao lado, havia um volume da mesma cor, rosa: <em>Os 5 livros de versos que salvaram o tio</em>. Edição de autor, com data de Lisboa, 1985. Em vez do preço, tinha um recado a lápis: "Oferta da autora".</p>
<p>Levámos os dois livros até ao balcão. "Este livro tem aqui escrito...".<br />
"Sim, sim. Oferta da autora. É isso mesmo. É para levar. Com muito prazer", disse-nos a responsável da loja.</p>
<p align="center">&#160;</p>
<blockquote>
<p align="center">&#160;</p>
<p style="text-align:center;"><img class="alignnone size-full wp-image-425 aligncenter" src="http://dramapessoal.wordpress.com/files/2008/05/inside_sue.jpg" alt="" width="265" height="395" /></p>
</blockquote>
<p align="center">&#160;</p>
<blockquote><p><strong>Para um vil criminoso</strong></p>
<p>Fizeste-me mil maldades<br />
e uma maldade muito grande<br />
que não se faz<br />
acho que devo ter sido a pessoa<br />
a quem fizeste mais maldades<br />
nem deves ter feito a ninguém<br />
uma maldade tão grande<br />
como a que me fizeste a mim<br />
não sei se tens remorsos<br />
tu dizes que não tens remorsos nenhuns<br />
porque dizes que és um vil criminoso<br />
para mim<br />
eu também sou uma vil criminosa<br />
mas não para ti<br />
desconfio que tens o remorso<br />
de ter alguns remorsos<br />
por teres feito mil maldades<br />
e uma maldade muito grande<br />
a maldade muito grande está feita<br />
e não se faz<br />
acho que essa maldade muito grande<br />
nos aproximou um do outro<br />
em vez de nos afastar<br />
mas para mim é um drôle de chemin<br />
e para ti também deve ser<br />
mas com um vil criminoso nunca se sabe</p>
<p align="center">&#160;</p>
<p><strong>O vestido cor de salmão</strong></p>
<p>Ai de mim estreei o meu vestido cor de salmão<br />
no primeiro baile a que fui<br />
durante o baile fiquei sentada numa cadeira<br />
ninguém me convidou para dançar<br />
a uma rapariga importuna<br />
que me perguntou porque é que eu<br />
não dançava<br />
respondi eu não sei dançar<br />
ela insistiu comigo para que eu<br />
bebesse uma taça de <em>champagne</em><br />
eu acedi<br />
mas não foi dessa vez que bebi <em>champagne</em><br />
pela primeira vez<br />
porque a rapariga entornou a taça<br />
no meu colo<br />
julgo que propositadamente<br />
com a nódoa o vestido deixou de ser para bom<br />
passou a ser para bater<br />
durante uma viagem curta de comboio<br />
uma faúlha do comboio (que era a lenha)<br />
queimou-o no punho<br />
foi fácil substituir o punho<br />
porque no Penim onde a minha mãe tinha comprado<br />
o corte de tecido cor de salmão<br />
ainda havia esse tecido cor de salmão<br />
mas durante um passeio à praia<br />
sentei-me numa rocha<br />
e ao levantar-me precipitadamente<br />
por ver que ia rebentar uma trovoada<br />
o vestido ficou preso à rocha<br />
e rasgou-se irremediavelmente<br />
ao despi-lo vi que o vestido tinha já<br />
a forma do meu corpo<br />
rasguei-o em pedaços<br />
e guardei os pedaços<br />
na cesta dos trapos<br />
de um dos pedaços fez-se um vestido<br />
para a boneca da minha irmã mais nova<br />
e deste mais tarde fez-se um vestido<br />
para a filha da boneca da minha irmã mais nova<br />
que era uma boneca mais pequena<br />
que caiu a um poço</p></blockquote>
<p align="center">&#160;</p>
<p style="text-align:center;">poemas dos livros <em>Um Jogo Bastante Perigoso, </em>e <em>O Decote da Dama de Espadas, </em>de Adília Lopes.</p>
<p style="text-align:center;">pintura de Mark Ryden: "Inside Sue" (<a href="http://www.markryden.com/">ver galeria em markryden.com</a>)</p>
<p align="center">&#160;</p>
]]></content:encoded>
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